Nota de corte e grade de curso fizeram aluno desistir de veterinária e biologia

‘Eu não gostava de estudar’, diz universitário que optou por biomedicina.
Psicóloga diz que escolha por nota é comum e que jovens têm perfil amplo.

Ele conta que adora biomedicina, mas nem sempre pensou em seguir carreira na área. Agora no sexto semestre, o universitário Fernando Dal Pai diz que fez sua escolha baseado no perfil do curso: conteúdo das disciplinas e até a nota de corte no vestibular. Deixou para trás o sonho da medicina veterinária e biologia.

Dal Pai concretizou a opção pela biomedicina após a terceira etapa do Programa de Avaliação Seriada (PAS) da Universidade de Brasília, onde tentava medicina veterinária e não foi aprovado. Ele nem chegou a se inscrever no vestibular da instituição e escolheu biomedicina no Centro Universitário de Brasília (Uniceub).

“Eu meio que sabia que, além da nota de corte de veterinária [no vestibular da UnB] ser gigantesca, eu não gostava de estudar e eu já tinha passado para biomedicina”, conta.

O universitário diz que resolveu fazer biomedicina tendo em mente que, se não gostasse, poderia prestar vestibular na UnB no meio do ano. Ele afirma que achou a área interessante desde o primeiro semestre, quando começou a frequentar cursos e palestras relacionados à carreira. Mesmo assim, o estudante cogitou tentar novamente uma vaga na Universidade de Brasília.

“Não mais para veterinária, estava pensando em biologia. Mas fui ver o currículo de biologia e tem uma parte de plantas e eu odeio plantas. Nem a pau que eu ia fazer quatro ou cinco semestres de botânica”, brinca.

Decidido a ficar na área, Dal Pai diz que fez cursos de coleta de material biológico e de biomedicina forense. Além disso, estagiou durante um ano e meio em um laboratório de farmácia da UnB e desde maio mexe com pesquisa genética na Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).

Entre as possibilidades oferecidas pela carreira, o estudante disse ter interesse em seguir em diagnóstico por imagem, microbiologia ou genética molecular. “Muita gente pensa em fazer criminalística por causa de [seriados como] Law & Order e CSI. Eu gosto. Mas criminalística só com concurso. E eu já fiz o do Hemocentro [de Brasília] e as provas são difíceis”, afirma.

Acompanhamento ajuda na decisão
De acordo com a psicóloga Maria Olímpia Alves de Mendonça, situações como a de Dal Pai não são raras. “Têm acontecido muito essas escolhas por questão de nota, de ‘vou tentar essa aqui porque é mais fácil passar’”.

Além disso, a orientadora vocacional diz que as avaliações têm mostrado que as pessoas atualmente têm um perfil mais amplo, que engloba mais de um curso e especializações. “Provavelmente, ele também teria perfil para aquela profissão [biomedicina].”

Para auxiliar a escolha, Maria Olímpia sugere que os estudantes sejam acompanhados desde o início do ensino médio por um profissional. Assim, jovens e pais podem ter uma noção melhor do mercado e das potencialidades do adolescente.

Fonte g1.com.br

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